O que é a prisão preventiva
A prisão preventiva é a medida cautelar mais grave do processo penal brasileiro. Está prevista nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal e só pode ser decretada quando demonstrado, ao mesmo tempo, o fumus commissi delicti (indícios de autoria e prova da materialidade) e o periculum libertatis (risco concreto à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal).
Por ser uma medida que antecipa efeitos de uma sentença condenatória, ela é excepcional. O Supremo Tribunal Federal reafirma, em diversas decisões, que a prisão preventiva não pode funcionar como antecipação de pena.
Quando ela pode ser revogada
A preventiva pode ser revogada a qualquer momento, em qualquer fase do processo, se desaparecerem os motivos que a justificaram (art. 316 do CPP). Os caminhos mais comuns para essa revogação são:
- Mudança fática — alteração das circunstâncias que fundamentaram o decreto: o réu apresenta endereço fixo, comprova vínculo empregatício, demonstra que não há risco de fuga.
- Excesso de prazo — quando o processo não anda em ritmo razoável e a pessoa segue presa sem culpa formada. O excesso de prazo é causa de revogação ou relaxamento, conforme o caso.
- Falta de fundamentação concreta — quando a decisão que decretou a preventiva apresenta apenas argumentos genéricos, sem indicar fatos específicos. A jurisprudência do STF exige fundamentação concreta.
- Cabimento de medidas cautelares menos gravosas — se as cautelares do art. 319 do CPP forem suficientes para resguardar a instrução, a prisão deve ser substituída.
- Reexame periódico — o juiz é obrigado a revisar a manutenção da preventiva a cada 90 dias (art. 316, parágrafo único, CPP). Se não o fizer ou se o reexame for genérico, há fundamento para impugnação.
Quais peças e estratégias podem ser usadas
Na defesa criminal, a revogação da preventiva pode ser pedida por diferentes caminhos, escolhidos conforme o caso:
- Pedido de revogação direto ao juiz — quando há novos elementos fáticos relevantes.
- Habeas corpus — utilizado quando há ilegalidade manifesta na decisão que decretou ou manteve a prisão. Pode ser impetrado nas instâncias superiores (TJ, STJ, STF).
- Recurso em sentido estrito — em determinadas hipóteses, contra decisões que mantêm a prisão.
Cada caso tem uma chave. A revogação da preventiva é, na maior parte das vezes, fruto de leitura cuidadosa dos autos e da construção paciente de novas provas — não de impulso.
O papel do advogado criminalista
A revogação da preventiva é um dos pedidos mais técnicos da advocacia criminal. Exige domínio dos requisitos legais, conhecimento da jurisprudência atual dos tribunais e leitura precisa dos autos. Erros de estratégia — pedir cedo demais, com fundamentos genéricos — podem fragilizar futuros pedidos.
O escritório Viniciu Gonçalves atua na revogação de prisões preventivas em todas as comarcas da Região dos Lagos, com pedidos individualizados, fundamentação jurídica precisa e acompanhamento pessoal de cada caso.